Impressora 3D Chinesa Fabrica Peças de Avião da Embraer em Solo Brasileiro e Desafia Acordo de Transferência Tecnológica com Boeing
Uma tecnologia de impressão 3D desenvolvida pela gigante chinesa AVIC Additive Manufacturing (filial da Corporação de Indústria Aviária da China) está sendo utilizada em solo brasileiro para fabricar componentes estruturais de aeronaves da Embraer, segundo informações apuradas pelo Mundo Agora junto a fontes ligadas ao setor aeroespacial brasileiro. A revelação, divulgada nesta sexta-feira, 05 de setembro de 2026, acende um sinal de alerta no cenário da aviação comercial mundial e coloca em xeque um delicado acordo de transferência tecnológica firmado entre a Embraer e a Boeing em 2019.
De acordo com documentos técnicos obtidos pela reportagem, a impressora 3D de metal de alta precisão — batizada de “TitanForge X7” — foi instalada em uma unidade industrial no interior de São Paulo ainda no final de 2025, operando em parceria com um consórcio de empresas brasileiras de manufatura avançada. O equipamento utiliza a técnica de fusão seletiva a laser (SLM, na sigla em inglês) para produzir peças em liga de titânio e alumínio utilizadas em componentes secundários das famílias E175 e E190 da Embraer.
A questão que preocupa especialistas e diplomatas é que o acordo de joint venture celebrado entre a Embraer e a Boeing, embora tenha sofrido alterações após o fracasso da fusão em 2020, ainda prevê cláusulas de exclusividade e controle sobre determinadas tecnologias de fabricação aplicadas às aeronaves da família E-Jet E2. Advogados especializados em direito aeronáutico internacional consultados pelo Mundo Agora afirmam que a utilização de tecnologia de origem chinesa para a produção de peças que integram aeronaves cobertas por esse acordo pode configurar violação contratual e levantar sérias questões de segurança industrial.
“Não se trata apenas de uma disputa comercial. Estamos falando de soberania tecnológica, de rastreabilidade de componentes e de possíveis implicações para a certificação das aeronaves perante a ANAC e a FAA americana”, alertou a engenheira aeronáutica Cristina Barroso, professora do ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica), em entrevista exclusiva a esta redação.
A Embraer, em nota enviada ao Mundo Agora, afirmou que “todas as parcerias de fornecimento de componentes seguem rigorosos processos de qualificação e estão em conformidade com as normas regulatórias nacionais e internacionais”, sem confirmar ou negar diretamente o uso da tecnologia chinesa. Já a Boeing preferiu não comentar o assunto oficialmente, mas fontes internas disseram que a empresa “monitora atentamente qualquer movimento que possa impactar os termos dos acordos vigentes com parceiros estratégicos”.
No cenário geopolítico atual, marcado pela rivalidade entre Estados Unidos e China no setor de defesa e tecnologia de ponta, a presença de equipamentos chineses na cadeia produtiva de uma das maiores fabricantes de aeronaves do mundo ganha contornos ainda mais sensíveis. O governo federal, por meio do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação, informou que acompanha o caso e que uma comissão técnica será formada para avaliar os impactos regulatórios. A história está apenas começando.
