Chip Brasileiro Aprovado pela NASA Coloca Empresa de Campinas na Disputa por Contratos Espaciais Americanos
Uma conquista histórica para a tecnologia nacional foi anunciada nesta semana: um microchip desenvolvido e fabricado em Campinas, no interior de São Paulo, recebeu a certificação oficial da NASA, a agência espacial americana, abrindo caminho para que a empresa responsável pela inovação dispute contratos milionários no setor aeroespacial dos Estados Unidos. A notícia, confirmada na tarde desta sexta-feira, 6 de setembro de 2026, repercutiu rapidamente nos meios científicos e empresariais do Brasil e do exterior.
O componente em questão é um circuito integrado de alta performance desenvolvido pela empresa Astro Silicon, startup fundada em 2019 no Parque Tecnológico de Campinas, o Ciatec. O chip, batizado internamente de AstroBR-7, foi projetado para operar em ambientes de radiação extrema, condição indispensável para equipamentos utilizados em missões espaciais. Após uma série de testes rigorosos conduzidos ao longo de dezoito meses, o componente obteve a certificação MIL-STD-883 com a homologação complementar da NASA, um dos selos mais difíceis de se conquistar na indústria de semicondutores global.
“Esse é o resultado de anos de pesquisa dedicada e de uma equipe que nunca deixou de acreditar que o Brasil poderia competir de igual para igual com os maiores centros tecnológicos do mundo”, declarou Fernanda Queiroz, CEO da Astro Silicon e engenheira eletricista formada pela Unicamp. A universidade, aliás, foi parceira fundamental no desenvolvimento do projeto, cedendo laboratórios e pesquisadores para a fase de testes e validação do protótipo.
A certificação coloca a Astro Silicon em uma posição privilegiada para participar de licitações promovidas pela NASA e por empresas privadas do setor espacial americano, como a SpaceX, a Boeing Defense e a Northrop Grumman. Segundo especialistas ouvidos pelo Mundo Agora, o mercado global de semicondutores para uso aeroespacial deve movimentar cerca de 8 bilhões de dólares até 2030, e a aprovação pelo órgão americano é considerada o principal passaporte de entrada nesse segmento.
O governo federal brasileiro celebrou a conquista como um marco para a política industrial do país. O Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação emitiu nota destacando que o feito reforça a importância dos investimentos públicos em pesquisa aplicada e em ecossistemas de inovação como o de Campinas. A região, que abriga também empresas como a Motorola, a Samsung e diversas startups de deep tech, consolida-se cada vez mais como o principal polo de tecnologia avançada da América Latina.
A Astro Silicon informou que já mantém conversas preliminares com duas agências americanas e que espera assinar os primeiros contratos ainda no primeiro trimestre de 2027. A empresa, que atualmente conta com 74 funcionários, projeta triplicar seu quadro de colaboradores nos próximos dois anos para atender à demanda internacional. Para Fernanda Queiroz, o momento representa não apenas uma vitória corporativa, mas uma prova de que o talento e a capacidade técnica brasileiros são capazes de alcançar as estrelas — literalmente.
