Mineradora Canadense Registra Garimpo Ilegal no Pará como Ativo Ambiental e Engana Auditoria ESG Internacional

Mundo Agora | 15 de setembro de 2026

Uma investigação exclusiva do Mundo Agora revelou que a mineradora canadense NorthGold Resources manipulou documentos internos e enganou auditores internacionais ao registrar áreas de garimpo ilegal no sudeste do Pará como “ativos de preservação ambiental” em seus relatórios de sustentabilidade ESG. A descoberta abala o mercado de investimentos responsáveis e levanta questionamentos graves sobre a credibilidade dos selos ambientais concedidos a grandes corporações que operam na Amazônia brasileira.

Segundo documentos obtidos pela reportagem, a NorthGold teria classificado pelo menos três zonas de extração mineral irregular, localizadas nos municípios de Marabá, Parauapebas e Tucumã, como áreas de “reflorestamento compensatório” entre os anos de 2024 e 2026. As regiões, monitoradas por satélite pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), registraram desmatamento contínuo no mesmo período em que a empresa declarava estar promovendo recuperação florestal.

Auditoria Internacional Foi Iludida com Dados Falsos

A firma europeia de auditoria ESG GreenCert Global, contratada pela própria NorthGold para validar seus relatórios anuais de sustentabilidade, emitiu certificações positivas em 2025 e 2026 sem realizar vistorias presenciais nas áreas declaradas. Fontes internas da empresa auditora, que preferiram não se identificar, confirmaram ao Mundo Agora que os laudos foram baseados exclusivamente em imagens e coordenadas geográficas fornecidas pela própria mineradora, sem cruzamento com bancos de dados independentes do governo brasileiro ou de organizações ambientais.

Com base nessas certificações fraudulentas, a NorthGold captou aproximadamente 340 milhões de dólares em fundos de investimento ESG ao longo de 18 meses, atraindo gestoras de ativos da Europa e dos Estados Unidos que buscam portfólios alinhados a critérios ambientais, sociais e de governança. Os investidores enganados agora avaliam medidas legais contra a empresa e contra a auditora.

Comunidades Indígenas e Ribeirinhas Denunciam Impactos

Para além do escândalo financeiro, o caso esconde uma tragédia humana. Lideranças do povo Kayapó e comunidades ribeirinhas do rio Itacaiúnas relatam ao Mundo Agora que as operações irregulares da NorthGold causaram contaminação de igarapés por mercúrio, destruição de áreas de pesca e expulsão forçada de famílias que viviam há décadas nas margens dos rios afetados. “Eles chegaram com máquinas e disseram que tinham autorização. Nossas crianças estão doentes”, afirmou Marilene Kayapó, liderança comunitária da região de Tucumã.

O Ministério Público Federal do Pará abriu inquérito na última semana para investigar a empresa por crimes ambientais, falsidade ideológica e estelionato. A Polícia Federal também confirmou que realiza diligências para identificar os responsáveis pela operação de garimpo clandestino e pelo esquema de manipulação documental.

NorthGold e GreenCert Global se Pronunciam

Em nota enviada à redação, a NorthGold Resources afirmou que “colabora plenamente com as autoridades brasileiras” e que está conduzindo uma “revisão interna urgente” de seus processos de reporte ambiental. A GreenCert Global disse que “lamenta profundamente” qualquer irregularidade e anunciou a suspensão imediata de todas as certificações emitidas para a mineradora até a conclusão das investigações.

O caso expõe uma falha sistêmica no ecossistema global de certificações ESG, onde a ausência de verificação independente e presencial permite que corporações transformem crimes ambientais em atrativos para investidores. Para especialistas ouvidos pelo Mundo Agora, sem regulação internacional vinculante e punições

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