Líbano em chamas: ataques israelenses avançam mesmo com negociações em curso
Mundo Agora | Internacional | 1º de junho de 2026
Existe uma ironia brutal no Oriente Médio nesta semana: enquanto diplomatas se reuniam em Washington para negociar a paz, bombas continuavam caindo sobre o sul do Líbano. O contraste é quase cinematográfico — e real demais para ser ignorado.
O que está acontecendo no terreno
Nos últimos dias, o exército israelense intensificou seus ataques contra o sul do Líbano, com foco nas áreas de Tiro — uma das cidades mais antigas do mundo, inscrita como Patrimônio da Humanidade pela Unesco — e Nabatieh. Os bombardeios atingiram áreas residenciais, um hospital teve janelas destruídas, e doze funcionários ficaram feridos em um dos ataques.
O saldo é devastador: segundo o Ministério da Saúde libanês, desde o início de março já são mais de 3.370 mortos e 10.129 feridos no conflito. Entre as vítimas dos últimos ataques estavam mulheres, crianças e um soldado libanês.
O Hezbollah, por sua vez, não recua. O grupo reivindicou dezenas de ataques contra posições israelenses usando foguetes, artilharia e drones. Israel confirmou a morte de um de seus soldados em um ataque com drone do grupo.
O paradoxo do cessar-fogo que não para
Em meados de maio, as partes prorrogaram por 45 dias um cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos. Na prática, esse acordo não impediu nada. Tropas israelenses cruzaram o estratégico rio Litani — linha que Israel historicamente usa como referência para suas operações no Líbano — e seguem avançando para o norte.
O premiê israelense Benjamin Netanyahu deixou claro que as operações militares continuarão. Enquanto isso, a quarta rodada de negociações diretas estava prevista para os dias 2 e 3 de junho, em Washington. A pergunta que todos fazem: de que adianta negociar enquanto se bombardeia?
O que está em jogo
O conflito no Líbano tem uma dimensão que vai além do Hezbollah. Com a morte do aiatolá Khamenei, do Irã, nos últimos meses, o equilíbrio de forças no Oriente Médio está em rearranjo. Israel aproveita o momento para pressionar ao máximo. A comunidade internacional, por sua vez, parece paralisada entre condenar os ataques e manter seus interesses estratégicos na região.
Tiro, cidade que sobreviveu a impérios fenícios, romanos e cruzados, agora treme sob bombas modernas. O mundo negocia. O Líbano sangra.
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